Menu
Leitura e Produção: Competências
Literatura
Sobre o Supletivo em Rede
Links
| Noção de Interlocução |
|
|
|
|
Texto de Apoio
A noção de interlocução - que envolve os dois interlocutores e a situação - é uma noção fundamental para qualquer trabalho com a linguagem. Foi escolhida por nós como uma das competências necessárias para se chegar a ser um bom leitor e um bom usuário da lÃngua, falada e escrita, porque a lÃngua que nos interessa estudar e analisar é a lÃngua em uso, que se dá entre aquele que fala ou escreve e aqueles que lêem ou escutam. A noção de interlocução, além de supor a existência de um locutor (o sujeito que fala ou escreve) e de alguém a quem a enunciação é dirigida (o interlocutor), supõe necessariamente a existência de uma situação, a situação de comunicação. É só no cruzamento de um locutor com um interlocutor numa situação especÃfica que um enunciado ganha sentido. Tomemos como exemplo a frase Estou com frio. É possÃvel imaginar diversas situações em que ela poderia ser proferida e os mais variáveis sentidos que poderiam ser a ela atribuÃdos: Tomemos como segundo exemplo a frase Há mendigos novamente morando embaixo da ponte. Imagine a diversidade de sentidos que ela pode ter, se proferida por um vereador preocupado com o embelezamento de sua cidade, se proferida por uma assistente pessoal,se proferida por um comerciante das redondezas, etc.
Uma situação de escrita ou mesmo de fala não se dá sempre em forma de diálogo. Isto não significa, no entanto, que não haja um locutor, um interlocutor e uma situação de comunicação. Um conto, por exemplo: ele é narrado por alguém (neste caso, temos um narrador como locutor) e ele é escrito para alguém (os interlocutores, neste caso, são leitores imaginados). Um discurso de um candidato a um cargo polÃtico tem como locutor, obviamente, o candidato; como interlocutores, os possÃveis eleitores, os partidários e os adversários; a eles o polÃtico se dirige e a eles tentará sensibilizar, comover, persuadir, dissuadir.
Chegamos assim a perceber que a noção de interlocução traz outra, atrelada a ela: a noção de adequação da linguagem aos interlocutores, à situação de comunicação e à intenção.
Nas atividades a serem desenvolvidas pelos alunos, propomos que, de inÃcio, os termos que designam os interlocutores sejam o mais possÃvel intuitivos: a pessoa que fala, o falante, a pessoa que escreve, o autor; a pessoa para quem se escreve, o leitor, a pessoa para quem se fala, o ouvinte. Aos poucos, deve-se introduzir termos mais precisos (evitando-se as designações codificador, decodificador, emissor e receptor, já que são termos que carregam consigo o conceito da lÃngua como código ou como mero canal de transmissão de informações). Optamos por usar, para os dois agentes da comunicação, o termo interlocutores; quem fala ou escreve será o locutor ou o 1o. locutor; o outro será o interlocutor ou o 2o. locutor (na medida em que não cabe a ele somente ouvir, receber, mas também participar da produção de sentidos, ser agente da comunicação). Quando se tratar de um texto em forma monologal, cremos que o ideal não seria tratar os interlocutores como 1o. e 2o. locutores ou como locutor e interlocutor mas sim como normalmente os tratarÃamos: de um lado, autor, romancista, jornalista, narrador; de outro, leitor. |


