Seleção de Informações PDF Print E-mail

Texto de Apoio


Objetivo geral:
Qualquer leitura atenta procura localizar e selecionar informações que lhe interessem. Uma competência fundamental é saber compreender num texto quais são as informações que realmente importam àquela leitura e quais são as informações secundárias.

A localização e seleção de informações é uma capacidade fundamental para um bom trabalho com a linguagem. Foi escolhida por nós como uma das competências necessárias para se chegar a ser um bom leitor e um bom usuário da língua na medida em que ela revela capacidade de perceber e expressar relações lógicas.

Tomemos como exemplo este pequeno trecho: Maria se revelou uma pessoa controlada. Chorou, é bem verdade, mas na hora H, foi ela quemteve sangue-frio e chamou ajuda. Você pode notar que há manifestação de dois atos praticados por Maria: chorar e pedir ajuda. Apenas um deles é sinal de que a personagem soube ser controlada; o outro vai exatamente na direção oposta, ou seja, revela falta de controle. Quem escreveu o texto poderia omitir o choro de Maria e só se concentrar no seu sangue-frio. No entanto, escolheu narrar os dois fatos, dirigindo porém a leitura a ser feita. Como é que o narrador fez isto? Primeiramente, afirmando logo de início a capacidade de controle de Maria; em segundo lugar,usando a locução, que por sua vez impede que a atenção do leitor recaia sobre essa circunstância. Bem, ter o domínio de uma escrita que não só reproduza acontecimentos (chorar e pedir ajuda, por exemplo) mas revele a importância que se dá a eles para um julgamento de valor (por exemplo, afirmar que contou muito a atitude de pedir ajuda), requer a capacidade de isolar informações e exaltá-las, relativizá-las ou minimizá-las. Entra em ação essa mesma capacidade no ato de ler e co mpreender. Quem escreve precisa saber o que focalizar e como focalizar. Quem lê deve aprender sobre o quê deve pôr sua atenção, dependendo do objetivo do texto e de seu próprio objetivo de leitura.

Em que situações devemos exercer a capacidade de localizar? Freqüentemente, responderíamos. Na nossa vida diária, em uma grande quantidade de ações: buscando uma roupa, procurando as chaves, encontrando um endereço, escolhendo um jornal, procurando uma notícia, etc.

E na escola, quando se exerce essa capacidade? Se pensarmos na capacidade de localizar informações em geral, diríamos que exercemos essa capacidade ao procurarmos uma cidade num mapa, ao encontrarmosa massa atômica de um elemento químico numa tabela periódica, ao compararmos frações numéricas, etc. Pensando na capacidade de localizar informações lingüísticas, a escola pede que o aluno localize o sujeito, o núcleo do sujeito, o imperfeito do subjuntivo, a ironia; a escola pede que o aluno localize personagens, identifique ambiente, ação principal, enredo; pede que o aluno retire as idéias principais de um texto; na escola, também, o aluno deverá escrever dissertações tendo por base argumentos que elegeu como importantes para sua composição. Para todas essas atividades, a localização de informações é imprescindível. Acima de tudo, é importante ter essa capacidade para ler e se expressar com clareza, dando a devida medida de importância às circunstâncias de uma ação, entendendo corretamente a pontuação e a ordem dos elementos numa frase, enfatizando o que é necessário, etc.

As atividades propostas justamente partem do ato mais fácil de localização (a identificação) para chegar aos modos de trabalho com essa identificação a serviço da clareza e da lógica, passando pelos atos de exclusão e de comparação. Alguns exercícios lidam com textos e outros não. Algumas das tarefas têm o objetivo de levar o aluno a realizar seleções visuais não-textuais. Aí se encaixam questões como "Que estado brasileiro possui a maior área?" (que se refere um mapa do Brasil dado na atividade 3) ou tarefas que se referem a gráficos e tabelas (4 e 5). Só depois é que se inicia o trabalho com texto, assumido, então, como objeto a partir do qual possíveis seleções serão feitas.

Assim, começamos com atividades de localização em que contam a capacidade de raciocínio lógico (atividades 1 e 2), passamos por atividades que unem identificação e exclusão (atividade 3), para só depois propormos atividades em que o aluno perceba a responsabilidade em identificar algo como o mais importante naquele texto: quais são os elementos lingüísticos que fizeram desse elemento o mais importante? A resposta pode estar no nível sintático, no nível semântico, no nível discursivo ou no nível prosódico. Nada eve escapar a quem escreve ou a quem lê, a quem fala ou a quem escuta.

Outro aspecto das tarefas a ser observado é que algumas delas têm preocupação quanto à progressão das seleções, ou seja, propõem que se realize uma seleção dentro de algo já selecionado (é o que acontece em exercícios das atividades 3, 4 e 5).

Depois desses passos iniciais, os exercícios aparecem com a intenção de conduzir a uma reflexão sobre as seleções efetuadas. Assim, surgem exercícios que requerem que se perceba a relação entre seleções (atividade 6) e exercícios em que se reflita a partir de alguma seleção (atividades 7 e 8). As atividades 7, 8 e 9 introduzemigualmente a questão de que uma informação deve ou não selecionada dependendo do interesse de quem lê buscando argumentos para sua posição.