Organização de Informações PDF Print E-mail

Texto de Apoio


Objetivo geral:
Saber ler e escrever pressupõe do leitor e de quem escreve uma organização das idéias segundo um determinado critério. Quando pensamos em organização de informações dentro de um texto, nossa primeira impressão é que essa organização deve seguir apenas uma seqüência temporal. Entretanto, são diversos os critérios que podemos seguir. Além de uma sucessão de acontecimentos no tempo, podemos trabalhar com sucessões que seguem uma ordem alfabética, ordem de grandeza, ordem de importância, agrupamentos temáticos, entre outros.

Consideramos a capacidade de organização uma competência elementar para um bom tratamento com a língua. Saber ler ou saber escrever pressupõe do leitor e de quem escreve essa capacidade de organizar as idéias segundo um critério.

Numa lista de atividades, o critério pode ser: do mais fácil para o mais difícil ou o inverso disso; pode-se também começar pelas atividades que são pré-requisito para as demais; pode-se agrupá-las por tipos, e assim por diante, desde que obedecido certo critério.

Numa pauta de reunião, a organização pode ser: primeiramente os assuntos menos polêmicos ou, ao contrário, primeiramente os assuntos mais pungentes; pode ser também a de separação por assuntos independentemente das discussões que podem suscitar.

Numa narrativa, importa geralmente a seqüência temporal, que responde por uma seqüência lógica dos fatos. Importa entender a seqüência dos fatos, ainda que a sua apresentaçãonão seja linear. É possível (ou desejável ou necessário) que haja retomadas ou idas para o futuro, sempre se recorrendo a recursos lingüísticos próprios: conectivos, advérbios, escolha de tempos verbais, escolha vocabular, etc.

Num texto dissertativo, há uma ordem pensada dos argumentos e contra-argumentos. Não é em qualquer ordem que eles atingem os objetivos pretendidos. Para entendermos como isso pode ocorrer, comecemos por um período composto de duas orações em que dois fatos se conectam: a chuva e a ida à praia. Se a intenção é focalizar o fato de que o tempo esteve ruim, pode-se escrever: Ele foi à praia, mas choveu. Se, ao contrário, o que interessa é anunciar que a chuva não impediu a ida à praia, a construção poderia ser: Apesar da chuva, ele foi à praia. Observem que, tanto numa construção quanto na outra, o que se quer focalizar vem no final: no primeiro caso a chuva, no segundo a ida à praia. Só para confirmar, observemos o que é focalizado nas duas construções a seguir: a) Gostei do espetáculo mas não fiquei até o fim. e b) Embora não tenha ficado até o fim, gostei do espetáculo. Em a) o que se focaliza é que X saiu do espetáculo antes do término; em b), oque se focaliza é o fato de X ter gostado do espetáculo.

Se pensarmos num texto maior, então, recheado de argumentos, podemos calcular a necessidade que háde que eles sigam uma certa organização, a depender do objetivo a se alcançar.

Nas atividades que aqui propomos para os alunos, há trabalhos com sucessão de acontecimentos no tempo, com sucessão que segue uma seqüência causal e com organização que segue critérios vários (ordem alfabética, ordem de grandeza, ordem de importância, agrupamentos temáticos, etc.). O que importa é que se perceba que a organização temporal não é o único modo de organizar uma narrativa. Igualmente, a organização "lógica" dos argumentos não é necessariamente sempre a mesma. Pode haver motivos de estilo ou de outra natureza que incidem sobre a organização primeira.