Análise PDF Print E-mail
Texto de Apoio

Objetivo geral:
A análise se situa desde uma simples visão estrutural até uma interpretação mais detalhada dos dados que compõem o texto. A análise é um trabalho de leitura do contexto, é um trabalho que leva em conta dados que podem não estar presentes concretamente no texto mas que são necessários para sua leitura e interpretação.


O que é analisar um texto, uma situação? Por que analisar é uma competência que se pede de quem escreve e de quem lê bem um texto?
Ora, só se pode chamar de leitor de um texto aquele que faz globalmente as operações de análise, interpretação, percepção do implícito, percepção do jogo de sentidos, crítica, posicionamento. Analogamente, só se pode dizer que alguém escreveu um texto quando ele foi realmente seu autor, o que significa dizer que ele terá não apenas codificado mensagens, mas terá passado por uma construção de um texto, o que pede necessariamente a reflexão e a projeção.
Vê-se que a capacidade analítica estará presente em ambas as situações. A análise não é a percepção da estrutura, do arcabouço de um texto; tampouco é a compreensão de suas segundas intenções, de seus múltiplos sentidos; também não é a previsão de suas conseqüências, de seus prolongamentos. A análise se situa entre uma simples visão estrutural e uma interpretação dos dados que compõem o texto.
A análise é um trabalho de leitura do contexto, é um trabalho que leva em conta obrigatoriamente dados que não estão presentes concretamente no texto mas que são necessários para sua leitura e interpretação. Como exemplo, imaginemos a seguinte manifestação de um político: Vamos dividir as terras brasileiras.
Ora, a frase é facilmente compreensível, mas a leitura supõe algo mais do que a leitura puramente decodificadora: a leitura supõe um momento de análise, aquele em que se faz necessário saber se o político é um candidato ou alguém que exerce um cargo no poder executivo; se é alguém de direita ou de esquerda; se sua afirmação condiz com o que sempre pregou ou, ao contrário, se é algo que se choca com as posições até então tomadas.
Mas o que se analisa de um texto? Temas, certamente, mas também suas articulações lógicas, seu gênero, seu tom, suas peculiaridades vocabulares e sintáticas. Analisa-se também as circunstâncias de sua enunciação (quem o proferiu, onde, para quem) e as condições de sua produção (se estivermos assumindo a postura da Análise de Discurso).
Por que analisar é importante? Porque escapa de uma visão estéril, de um lado, e da interpretação não fundamentada, de outro. A análise inicia-se na leitura da estrutura mas não pára aí. A análise fundamenta a interpretação, mas não se realiza nela, não a tem como necessária.
Um outro aspecto a ser considerado é o subjetivismo da análise: os elementos provêm do texto, da situação, mas a sua percepção é subjetiva. Em outras palavras, não existe análise sem a presença viva de um sujeito. Provém daí que não tenha sentido imaginar um único encaminhamento para um enunciado como "analise o texto". A análise será tão múltipla quanto a multiplicidade de sujeitos que a elaborarem. Assim, faz mais sentido enunciados como: "analise o texto do ponto de vista X" ou "analise o texto do ponto de vista de alguém que (...)".
Havíamos considerado que uma das competências fundamentais para redigir e ler textos, escolares ou não, seria a capacidade de análise. Façamos agora um caminho diferente: no lugar de perceber quais são as competências lingüísticas fundamentais para se ler um editorial, para se compreender o enunciado de um teorema, para entender um texto de um contrato de aluguel, etc., procuremos ver em que momentos temos que pôr em ação nossa capacidade de análise.
Na nossa vida cotidiana, será um gesto analítico "ler" o tempo e decidir se se deve ou não pegar um guarda-chuva ou um casaco? Decidir o melhor caminho, o percurso mais livre ou o ônibus mais direto e/ou mais vazio? Analisamos quando decidimos o que comer? Ou melhor; o que analisamos quando decidimos o que comer? O preço, a qualidade do alimento, a adequação do alimento ao clima? O que analisamos quando decidimos pela compra de uma revista, por um programa de TV? Que fatores entram na análise e culminam na decisão?

Observações:

Apesar de todos os exemplos anteriores serem de momentos de análise que provocaram uma decisão, a análise não traz em si um aspecto pragmático: ela ampara uma decisão mas existe sem ela.