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TEXTO PARA AS ATIVIDADES DE 1 - 7 DESENCANTO Manuel Bandeira
Eu faço versos como quem chora De desalento... de desencanto... Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca. ï€ Eu faço versos como quem morre.
(A cinza das horas) TEXTO PARA AS ATIVIDADES 8 - 12 MORTE E VIDA SEVERINA (trecho) João Cabral de Melo Neto
- De sua formosura já venho dizer: é um menino magro, de muito peso não é, mas tem o peso de homem, de obra de ventre de mulher.
- De sua formosura deixai-me que diga: é uma criança pálida, é uma criança franzina, mas tem a marca de homem, marca de humana oficina.
- Sua formosura deixai-me que cante: é uma criança pálida, é um menino guenzo como todos os desses mangues, mas a máquina de homem já bate nele, incessante.
- Sua formosura eis aqui descrita: é uma criança pequena, enclenque e setemesinha, mas as mãos que criam coisas nas suas já se adivinha.
- De sua formosura deixai-me que diga: é belo como o coqueiro que vence a areia marinha.
- De sua formosura deixai-me que diga: belo como o avelós contra o Agreste de cinza.
- De sua formosura deixai-me que diga: belo como a palmatória na caatinga sem saliva.
- De sua formosura deixai-me que diga: é tão belo como um sim numa sala negativa.
- É tão belo como a soca que o canavial multiplica, - Belo porque é uma porta abrindo-se em mais saÃdas. - Belo como a última onda que o fim do mar sempre adia. - É tão belo como as ondas em sua adição infinita.
- Belo porque tem do novo A surpresa e a alegria. - Belo como a coisa nova na prateleira até então vazia, - Como qualquer coisa nova inaugurando o seu dia. - Ou como o caderno novo quando a gente o principia.
- E belo porque com o novo todo o velho contagia, - Belo porque corrompe com sangue novo a anemia. - Infecciona a miséria com vida nova e sadia. - Com oásis, o deserto, com ventos, a calmaria. (Obra completa: volume único. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1994. pp. 199-201)
TEXTO PARA AS ATIVIDADES 13 - 15 ENCHENTE CecÃlia Meirelles
Chama o Alexandre! Chama!
Olha a chuva que chega! É a enchente. Olha o chão que foge com a chuva...
Olha a chuva que encharca a gente. Põe a chave na fechadura. Fecha a porta por causa da chuva, olha a rua como se enche!
Enquanto chove, bota a chaleira no fogo: olha a chama! olha a chispa! Olha a chuva nos feixes de lenha!
Vamos tomar chá, pois a chuva é tanta que nem de galocha se pode andar na rua cheia!
Chama o Alexandre! Chama! (Ou isto ou aquilo. 5.ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1981. p.53) TEXTO PARA AS ATIVIDADES 16 E 17 O RELÓGIO Vinicius de Moraes
Passa, tempo, tic-tac Tic-tac, passa hora. Chega logo, tic-tac, Tic-tac e vai embora. Passa o tempo Bem depressa, Não atrasa, Não demora, Que já estou Muito cansado. Já perdi Toda a alegria De fazer meu tic-tac Dia e noite Noite e dia Tic-tac Tic-tac Tic-tac...
(Arca de Noé) TEXTO PARA AS ATIVIDADES 18 - 21 FERIDA Augusto de Campos fer ida sem ferida tudo começa de novo a cor cora a flor o ir vai o rir rói o amor mói o céu cai a dor dói (Não poemas. São Paulo, Perspectiva, 2003)
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